Fique por dentro

Ler e escrever, uma atenção especial

A escritora Ruth Rocha, em resposta a Jô Soares (como a criança se interessa pela leitura?), argumentou “que tudo começa em casa, com pais interessados e livros sempre por perto”. Não há como discordar. Existem crianças, porém, que não tem essa facilidade e para elas também deve haver um começo. A escola torna-se, nesse caso, a grande responsável por essa missão. O amor pela leitura possibilitou que muitos de nós vivêssemos a infância no mundo de Monteiro Lobatto, gibis de Walt Disney, de Maurício de Souza e de muitos outros. Mônica, Cebolinha, Pato Donald, Tio Patinhas, Pedrinho e Narizinho contribuíram para uma iniciação literária e também do domínio da L´ngua Portuguesa. Ler em voz alta, escrever, recontar histórias, misturar as personagens criadas com as que emprestaram os autores. Essa foi e continua a ser a fórmula quase mágica a ser utilizada em salas de aula para despertar o gosto pela leitura. Simples. Ler e escrever. Quem não lê não escreve. Quem não compreende um texto não revela capacidade de expressão. Simples, mas parece que há necessidade de mais dedicação, à vista do que demonstram os estudos realizados com alunos brasileiros. Eles tém dificuldade para ler e entender um texto. Observamos, envergonhados, os resultados obtidos pelo Brasil na pesquisa – que envolveu 41 países – sobre o desempenho de leitura realizada pelo programa Internacional de Avaliação do Estudante, em 2000: 37º lugar. Muitos jovens que estão no fim do Ensino Médio não conseguem entender o que lêem. Logo, terão a interpretação de texto, não só, em Português, mas em Geografia, em Biologia, em todas as matérias, como um dos grandes desafios do vestibular, e não há como eliminar essa dificuldade em tão pouco tempo.

Esse é um alerta para todos os gestores do ensino: os professores e os pais de alunos. Juntos, devem trabalhar mais os estímulo à leitura para mudar essa situação. Todos conhecem a surpreendente habilidade das crianças com os computadores. Percorrem o mundo todo com o teclado e a tela, mas muitos não são capazes de redigir um texto com introdução, desenvolvimento e conclusão, ou seja, com princípio, meio e fim. Esse será, pois, um desafio: migrar, pelo menos em uma parte do dia, o interesse da criança do computador para a biblioteca, faze-la entender e interpretar um texto da literatura infantil ou um texto de Machado de Assis. E escrever. Escrever sem os modismos exagerados que a dinâmica da informática impõe, escrever sem maltratar a Língua Portuguesa. É certo que nenhuma escola está desatenta a essa missão, mas seria necessário priorizar esse planejamento, cada qual escolhendo a melhor forma de trabalho. Ainda que se busque toda a literatura de apoio para iniciar a atividade da leitura de textos, é o professor que encontrará o melhor método para levar a criança, ainda nas primeiras letras, ao gosto pela literatura. O professor é o artista de todos os momentos em sua sala de aula. Interpretar a história lida, chorar, rir, mostrar um mundo novo que vem das páginas de um livro é o melhor início.

Atentos a essa necessidade, enriquecemos o planejamento escolar para enfatizar ainda mais a leitura e a criação de texto em todos os estágios de aprendizagem – da primeira à oitava série. Isso não significa diminuir a importância que se dá ao estudo da literatura e da gramática, mas sim somar todos os ingredientes para o domínio dos conteúdos do ensino fundamental. Esse trabalho, já iniciado, representará a diferença que entendemos necessária em nosso colégio. Nossos alunos respondem bem às iniciativas educacionais e culturais. O sucesso das atividades literárias – saraus, apresentações teatrais – por eles desenvolvidas, atesta essa certeza.